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terça-feira, 28 de abril de 2026

*O PERIGO DO MOVIMENTO PROGRESSISTA NA IGREJA*



A origem das mulheres pastoras é um fenômeno majoritariamente moderno, intensificado nos séculos XIX e XX, influenciado por movimentos sociais e releituras teológicas, com raros registros anteriores. No Brasil, a ordenação feminina ganhou força a partir da década de 1970. 


• Contexto Histórico: Até o século XVI, não há registros de ordenação pastoral feminina. A primeira onda feminista no século XIX é apontada como um dos principais catalisadores para o surgimento de pastoras.


• Influência Social: A segunda onda feminista, na década de 1960, acelerou o movimento, levando milhares de mulheres ao ministério, especialmente em igrejas protestantes históricas.


• No Brasil: As primeiras pastoras batistas surgiram na década de 1920, enquanto a ordenação de mulheres metodistas ganhou destaque em 1974.


*- Fundamentos Teológicos (Debate):*


- *Visão Progressista/Inclusiva:* Argumenta que o pastorado feminino resgata a participação ativa das mulheres na Igreja primitiva e na teologia de inclusão de Jesus e usam o texto bíblico contido em Gálatas 3:28 para esse argumento que diz, “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”. Esse versículo é mal interpretado pelos progressistas conforme explicarei ao final desse texto;


- *Visão conservadora da palavra bíblica:* Argumenta que a liderança pastoral é masculina, baseando-se em textos bíblicos, tais como *1º Timóteo 2:12* que diz, _“Não permito que a mulher ensine nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio”._ 


Esse entendimento se refere, principalmente a proibição de funções de presbitério (pastorado) dada a mulher na igreja, mas não está incluso o ensino para as mulheres e crianças o que é um papel bíblico dado a mulher contido em *Tito 2:3-5* que diz, _“Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver, a não serem caluniadoras nem escravizadas a muito vinho, mas a serem capazes de ensinar o que é bom. Assim poderão orientar as mulheres mais jovens (mulheres ensinando mulheres) a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada”._ 


Paulo recorda da sequência da criação de Deus, do homem e da mulher, e para qual finalidade foi criada a mulher, ou seja, o seu papel na criação de Deus contido em *Gênesis 2:20b* que diz, _“Todavia não encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse”._ 


E a partir desse versículo descreve a criação da mulher que veio a ser a auxiliadora do homem com o papel bem definido na família de Deus e na igreja de Cristo. 


As orientações de Paulo a Tito e a Timóteo, em suas cartas, deixa bem claro que as funções de presbítero/bispo (pastor) são delegadas a homens casados com esposa e filhos crentes, além de outros requisitos, mas não a mulheres.

Os progressistas (homens e mulheres), defendem a igualdade entre homens e mulheres na igreja ao interpretar de forma equivocada *Gálatas 3:28* e isso ocorre principalmente nas igrejas pentecostais, mas *infelizmente já está chegando na igreja de Cristo* de forma superficial em pequenos detalhes que se não forem corrigidos na origem pode ser tarde demais e vir a dividir a igreja, assim como está chegando o progressismo do uso de instrumentos musicais. 


Precisamos ficar alertas ao que está sendo ensinado nas reuniões da igreja.


Paulo na passagem de Gálatas afirma que, em Cristo, as distinções sociais, étnicas e de gênero (judeu/grego, escravo/livre, homem/mulher) não impedem a salvação, tornando todos os crentes um só corpo. O versículo enfatiza a igualdade espiritual perante Deus *e não a igualdade das funções do homem e da mulher dentro da família e da igreja.*


Fiquem alertas ao progressismo dentro da igreja que Cristo comprou com o seu próprio sangue, pois Paulo disse que falsos mestres (homens e mulheres) aparecerão e serão seguidos por aqueles que irão contra a sã doutrina:


_"Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina, Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos”._ *2º Timóteo 4:2-3*


Giovanni Barros.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Teologia da Prosperidade

 


Breve Artigo Teológico.


 TEOLOGIA DA "PROSPERIDADE". 


Separados, teologia e prosperidade são dois conceitos distintos e bastante amplos para se analisar. Porém unidos se tornam um dos mais recentes e conhecidos argumentos teológicos da atualidade para justificar a prosperidade financeira da igreja e de seus líderes. A Teologia da Prosperidade surgiu no século XIX nos EUA e se popularizou na metade do século XX  com o Pr. Kenneth Hagin que fez uso de diferentes meios de comunicação para divulgar essa ideia teológica e inclusive fundou uma escola de formação de líderes chamada “RHEMA Bible Training Center” em 1974 na qual já formou milhares de líderes que se espalharam pelo mundo. No Brasil um dos pioneiros dessa teologia foi o Pr. Edir Macedo líder da Igreja Universal do Reino de Deus o qual também foi responsável pelo treinamento de centenas de pastores adeptos desse movimento entre eles estão o Pr. Romildo Ribeiro Soares conhecido como (RR. Soares) e o bispo Valdomiro Santiago ambos líderes de denominações pentecostais e que se tornaram homens muito prósperos financeiramente a partir das doações feitas por seus fiéis. Mas afinal existe base bíblica para a teologia da prosperidade? Muitos são os textos bíblicos usados para tentar fundamentar essa ideia teológica, porém sempre os textos são estudados fora de seu contexto se tornando um pretexto para justificar esse “dogma” pentecostal. Para não tornar o artigo muito longo separei apenas dois textos bíblicos, um do Antigo e outro do Novo Testamento que são usados com frequência para tentar embasar a teologia da prosperidade.  


O primeiro texto diz: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes" 

(Malaquias  3.10)


O profeta Malaquias foi contemporâneo de Neemias aquele que liderou a reconstrução dos muros de Jerusalém (século 5 a.C). O termo Casa do Tesouro do hebraico (אֹוצָר / ʼôwtsâ) também podendo ser traduzida como “casa do depósito” se refere ao Templo que na época além de servir como um lugar sagrado para oferecer os sacrifícios e receber as orientações de Deus, tinha também como uma de suas principais funções ser um lugar onde eram armazenados mantimentos e outros recursos para o auxílio do povo necessitado que ainda estava retornando do cativeiro para ajudar a reconstruir Jerusalém. Posteriormente veio a se tornar lugar exclusivo de adoração. Portanto nesse contexto o profeta Malaquias faz um chamado coletivo ao povo fragilizado e um tanto incrédulo para se unirem através da fé afim de devolver uma décima parte de suas plantações e rendimentos para o fortalecimento do templo e da comunidade. Ou seja, o esforço coletivo do povo em armazenar recursos no templo traria também um retorno coletivo onde todos os necessitados seriam beneficiados ao usufruírem. E não somente os sacerdotes. Portanto o papel dos dízimos não é enriquecer o pastor, mas auxiliar todo o corpo da igreja em suas necessidades. Malaquias faz um apelo pela devolução do dízimo em um contexto de extrema necessidade em que estava em jogo a reconstrução de Jerusalém. Hoje infelizmente o dízimo e ofertas tem sido exigido em um contexto de ostentação de igrejas e pastores. O propósito do dízimo ou ofertas não é financiar jatinhos ou carros de luxo, mas alimentar o povo com alimento material e espiritual. O texto mostra que assim como a ação era coletiva, assim também coletiva seriam as bençãos e por consequência a prosperidade do povo... “diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma benção tal, até que não haja mais lugar para recolherdes”. (Até que não houvesse mais espaço no Templo para recolher todos os recursos e mantimentos). A idea de properidade no texto tem a ver com o desevolvimento da comunidade e seu fortacimento através de um sistema de colaboração por meio dos dízimos e ofertas de alimentos e vestimenta a todos os necessitados. Esse princípio de prosperidade estabelecido por Deus persisti até hoje na cultura judaica, por meio de comunidades chamadas "Kibutz". Essas comunidades são prosperas e tem sido um modelo de sociedade ideal a muito anos. E o texto ainda mostra que o resultado da reorganização do povo, da reconstrução de Jerusalém e o restabelecimento da dignidade dos cativos foi o reavivamento espiritual que veio tornar Israel o centro da fé novamente (Lucas 2.41).    


O segundo texto diz: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham.33 Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles.34 Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda35 e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um”. (Atos 4.32-35)


O contexto do segundo texto bíblico semelhante ao primeiro de Malaquias retrata novamente a condição de fragilidade do povo de Deus, agora gerada pela morte de Jesus. Sob a orientação do Espirito Santo o povo é inspirado a agir coletivamente por meio da fé e o resultado são as necessidades materiais e espirituais do povo atendidas. Perceba que a ausência de necessitados entre eles “...Não havia pessoas necessitadas entre eles...” (At 4.34) não estava associada a prosperidade financeira de cada indivíduo, mas a comunhão ou partilha de bens entre todos. Esse ato de extrema união veio possibilitar uma benção maior que ficou conhecida como Pentecostes. 


Todas as semelhanças entre Malaquias e Atos não é mera coincidência. Ao longo de todo o relato bíblico desde Gêneses a Apocalipse existe dois princípios em comum em todas as bençãos de Deus.   


Primeiro princípio; as bençãos de Deus sobre cada indivíduo é sempre para abençoar o coletivo.  


Muitas pessoas passam a vida orando e clamando a Deus para torna-las prosperas financeiramente. Sua ganancia é fruto de um coração egoísta que deseja apenas acumular bens para ostentação própria. E por tanto acabam não tendo seu pedido atendido porquê de acordo com o livro de (Tiago 4.3) “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos próprios deleites". 


Segundo princípio; as bençãos de Deus vêm para atender diferentes necessidades, mas sua principal finalidade é fortalecer a fé (a vida espiritual das pessoas). 


 No livro de (Mateus 19.16-23) se encontra o relato do jovem rico que se aproxima de Jesus para questiona-lo sobre a vida eterna. Jesus percebendo que se tratava de alguém que era prospero financeiramente e estava apegado à sua riqueza, pediu para que doasse o que tinha e distribui-se aos pobres e em seguida pediu para que o seguisse. O propósito de Jesus era mostrar a todos que a verdadeira prosperidade do cristão é ter ao longo de sua trajetóriade vida a presença do Dele em sua vida. Ao ajudá-lo a se desprender das coisas materiais, Jesus queria torna-lo rico das coisas espirituais. Ao compartilhar de sua riqueza com os necessitados o maior beneficiado seria ele mesmo. Pois tal ato de amor fortaleceria sua fé, sua confiança em Deus e na salvação. Porém diante da possibilidade de abrir mão de toda sua riqueza o jovem recuou em sua busca espiritual pela vida eterna. Então Jesus concluiu dizendo; “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt19.24).  


Portanto associar as bençãos de Deus unicamente a prosperidade financeira seria definitivamente um erro teológico absurdo.


Por outro lado a Bíblia não condena a riqueza, mas os perigos da ganância e avareza na vida do cristão.


Poderia analisar outros textos usados para embasar a teologia da prosperidade, mas tornaria muito longo esse artigo. Porém todos os outros textos levariam a mesma conclusão quando estudados dentro de seu contexto. O que fica claro é que a verdadeira prosperidade da qual Jesus tem interesse na sua vida é a prosperidade espiritual que leva a vida eterna. Sendo rico ou pobre o mais importe na vida do cristão é “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas” (Mateus 6.33). 


Pedido de Oração: Há muito tempo venho sendo atacado por me posicionar contra o envolvimento das igrejas com o bolsonarismo, porém os ataques se intensificaram após publicar o artigo "discípulos do amor ou do ódio?" Após sua grande repercussão passei a ser alvo de ataques muito cruéis feitos por meio de FAKE NEWS  com o objetivo de destruir minha imagem e incitar ódio contra mim. Por favor intercedam por mim e minha família em oração. A minha gratidão! Lembre-se o diabo é o pai da mentira (João 8.44) e ele odeia a verdade (João 8.32).


Autor. Moreno Alves 

Bacharel em Teologia (UNASP-EC) 

Universidade Adventista de São Paulo 


(Ref. “Mensagem de Atos” John Stott), (Ref. “Teologia da Prosperidade” Gabriel Lourival Maurilio), ( Ref. “Comentário Histórico Cultural da Bíblia,  John H. Walton), (Ref. "Bíblia Interlinear de Strong") etc...

sábado, 21 de janeiro de 2023

Secta china intenta captar a católicos y evangélicos a través de Facebook y WhatsApp



Portaluz. Luis Santamaría del Río 20 de mayo de 2021

Bajo la apariencia de cursos bíblicos cristianos se encuentra la Iglesia de Dios Todopoderoso, un grupo que asegura: Dios ha vuelto al mundo en forma de mujer.


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Desde el pasado mes de abril, muchos grupos de Facebook en castellano con contenidos católicos principalmente, aunque también algunos evangélicos, están siendo utilizados para invitar a sus miembros a cursos bíblicos gratuitos. A través de eventos en esta popular red social –que cuenta con más de 2.700 millones de usuarios activos–, se redirige a las personas interesadas a grupos de chat de WhatsApp. En éstos podrán interactuar con sus organizadores y acceder a un formulario para participar, en un momento posterior, en cursos bíblicos por videoconferencia.

Captación en el entorno virtual



Los grupos de WhatsApp a los que dirigen estos eventos se cuentan por decenas, y nacen nuevos cada día. Muchos de ellos llevan nombres sobre su propósito inicial: “Estudio de la Biblia”, “Curso de Biblia en línea”, “Estudiar la Biblia”, “Grupo de estudio bíblico”, “Biblia de Estudio Rápido”... Otros tienen referencias cristianas más genéricas como “Dios es mi Pastor”, “Quedamos en el Señor”, “Jóvenes que aman a Dios”, “Promesa con el Señor”, “Juntos en Cristo”, “Acoger al Señor”, “Dios es amor”, “Reino de Cristo”, “Confía en Dios”, “Cristo ha venido”, “Ovejas de Dios”, “La Sana Doctrina”, “Saludar a Dios” ...

Algo llama poderosamente la atención: todas las personas que están detrás de las convocatorias de Facebook y que administran los grupos respectivos de WhatsApp son originarias de china (jóvenes en su mayoría y mujeres casi en su totalidad). Como curiosidad, tienen nombres o apellidos hispanos, e incluso algunos con resonancias religiosas cristianas, y se identifican como viviendo en España, México, Colombia... ¿Quién o qué está detrás de esta iniciativa? Ciertamente, se trata de algo organizado, que sigue unas pautas muy concretas.

Algunos detalles que hacen sospechar



Las imágenes utilizadas son reconocibles por su abundante colorido, con una estética a medio camino entre las estampas católicas y las ilustraciones de las revistas de los testigos de Jehová. En su mayoría representan a Jesús como el Buen Pastor y otras escenas de los evangelios. Pero también hay imágenes de creyentes reunidos, orando o leyendo la Biblia, y otras de carácter más apocalíptico que mezclan rostros atemorizados, personas con mascarillas y fenómenos astronómicos.

En los mensajes se insiste en lo escatológico y en la lectura de los hechos de la actualidad como signos del regreso de Jesucristo. Podemos leer, por ejemplo: “¿Sabes? El descenso sobre una nube del Señor no es la única manera de su regreso”. O lo siguiente: “Las 5 profecías del regreso del Señor se han cumplido”. Revisando lo que cuentan después a los miembros de los grupos, se observa que hablan de la segunda venida de Cristo en pasado, como algo que ya ha sucedido de forma muy reciente, y que ha desencadenado los acontecimientos del final de los tiempos.

Por eso aseguran a los usuarios de las redes sociales que en sus cursos enseñan “cómo puedes entrar en el reino de Dios”, añadiendo: “¡Hermanos y hermanas que están genuinamente ansiosos por recibir el regreso del Señor Jesús, son bienvenidos a participar!”. Y, con una fórmula típica de marketing, concluyen: “¿Quieres participar? Por favor, di amén. ¡Te añadiré al grupo premium!”.

En ocasiones, las personas que entran por invitación en los chats de WhatsApp se presentan, comentan sus expectativas, comparten contenidos cristianos... Un diácono permanente español tuvo una experiencia que le extrañó, y que sólo pudo entender después de descubrir el trasfondo de la convocatoria: el 27 de abril, tres minutos después de presentarse como ministro católico, fue expulsado de un grupo llamado “Estudio de la Biblia” sin explicación alguna. Con frecuencia, las administradoras de los chats recuerdan a sus integrantes que sólo pueden compartir textos e imágenes “católicos o cristianos” (en referencia, lo segundo, a los evangélicos), lo que tranquiliza a muchos usuarios.

¿Quiénes dicen ser? En ocasiones se presentan como “Misioneros Internacionales”, e insisten en ello cuando algunos usuarios de los grupos les preguntan. Cuando se ponen en contacto personalmente con los miembros de los grupos de WhatsApp –algo frecuente–, vemos que dicen ser “asistentes del pastor internacional”, sin más detalles. Pero hay algo que no deja lugar a dudas: si se accede a los perfiles personales de las supuestas “misioneras”, es fácil descubrir –además de las convocatorias de los cursos bíblicos que estamos analizando– que publican de forma habitual contenidos de la Iglesia de Dios Todopoderoso. Ésta es la clave que desvela todo el misterio. ¿De qué se trata?

La clave: Cristo ha vuelto... como una mujer de 48 años



La Iglesia de Dios Todopoderoso, también conocida como Relámpago Oriental, es una de las sectas que han protagonizado la actualidad en los últimos años por ser objeto de vigilancia por parte de las autoridades chinas. Nació en China en 1991, tal como explica la secta en sus propias publicaciones, en las que no es posible encontrar detalles sobre quién la fundó, más allá de afirmaciones sobre la intervención sobrenatural directa de Dios en aquel año para instaurar su verdadera iglesia: “en 1991 Dios todopoderoso encarnado apareció y comenzó a obrar en China”.

Con un tono claramente apocalíptico, se refieren a “la obra de los últimos días” y a su protagonismo en ella de la figura de Cristo, que habría regresado a la tierra en los últimos años del siglo XX. ¿Cómo, cuándo y dónde ha tenido lugar esta “parusía” del Señor? Según asegura la secta en sus enseñanzas, Cristo se ha encarnado en una persona concreta: una mujer llamada Yang Xiangbin, nacida en China en 1973.

Junto a ella, que es la líder espiritual indiscutible -ya que es el mismo Dios hecho mujer-, se encuentra como organizador del grupo el ciudadano chino Zhao Weishan (nacido en 1951), principal divulgador del nuevo mensaje desde sus inicios. Por extraño que parezca, las raíces de la secta están en el protestantismo, concretamente en algunas adaptaciones chinas del movimiento de los Hermanos –de John Nelson Darby, del siglo XIX–.

Sin embargo, asegurando que Cristo ha vuelto a la tierra en la figura de un ser humano concreto los sitúa fuera del protestantismo y del propio cristianismo. Estamos hablando de una nueva versión de los movimientos proféticos y mesiánicos que han abundado en la historia y que, en la edad contemporánea, se multiplican, difundiendo un mensaje que mezcla las afirmaciones de la Biblia con los problemas del mundo actual para atraer a personas preocupadas por lo que vivimos. Y, curiosamente, de países como China o Corea proceden varias de estas sectas recientes.

Proselitismo entre cristianos



La expansión de la Iglesia de Dios Todopoderoso fuera de las fronteras chinas ha venido marcada, sobre todo, luego de la condena judicial en China, a partir de 2014, después de ser acusada de diversos asesinatos, cuya autoría rechaza la propia secta. Fue la ocasión para llegar a diversos países occidentales y abrir allí sus sedes.

Si por algo destaca este grupo es por su fuerte proselitismo entre los creyentes en Jesucristo. Como hemos señalado, los anuncios de sus cursos bíblicos los están haciendo en los grupos católicos y evangélicos de Facebook. En ocasiones presentan una oferta diversificada: “Si eres una persona que ama la palabra de Dios, por favor toma en serio la siguiente decisión: si es católico, haga clic en el siguiente enlace [‘Dios es amor’]; si es cristiano, haga clic en el siguiente enlace [‘Reino de Cristo’]”.

Es claro que la secta está apostando con una gran intensidad e inversión de recursos personales y temporales en la captación de nuevos adeptos entre los cristianos. En este momento, su prioridad son los hispanoparlantes de América y Europa. Pero además de esto, hay un hecho que hace sospechar intereses que van más allá del simple proselitismo personal, y es la recogida de datos de Iglesias y grupos cristianos.



Así es. En algunos grupos, el administrador correspondiente ha compartido, cuando ya hay un cierto número de personas inscritas, un mensaje en el que se puede leer: “por favor, si me pueden apoyar en esta primera etapa de registro, conforme vallan [sic] llegando, presentarse por aquí y en privado enviarme los siguientes datos: Nombre completo. Edad. País, estado, comunidad y región de donde son y, si fuera el caso, datos donde viven actualmente... El nombre de su iglesia o congregación, así como su denominación. Nombre de sus Pastores...”.

Lo preocupante es que no sólo recogen datos personales de posibles candidatos a entrar en la secta, sino que también pueden ir recopilando información sobre las comunidades de fe a las que pertenecen. ¿Un simple interés estadístico? No lo parece. ¿Una forma de poder acceder después, de forma sibilina, a los responsables y demás integrantes de algunas confesiones cristianas, ofreciendo sus cursos y materiales? Obviamente, es una opción muy probable. ¿Puede haber algún objetivo oculto más? Por supuesto que sí, ya que se trata de una secta en pleno proceso de expansión internacional.

fonte: https://portaluz.org/accion-del-mal/4207/secta-china-intenta-captar-catolicos-evangelicos-traves-.html

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Igreja de Deus Todo-Poderoso


A Igreja de Deus Todo-Poderoso,[a] também conhecida como “Relâmpago do Oriente” (chinês tradicional: 東方閃電, chinês simplificado: 东方闪电, pinyin: Dōngfāng Shǎndiàn), é um novo movimento religioso estabelecido na China em 1991,[1] ao qual fontes governamentais chinesas atribuem três a quatro milhões de membros,[2] embora os académicos considerem estes números de alguma forma exagerados.[3] O nome “Relâmpago do Oriente” é obtido do Novo Testamento, Evangelho segundo Mateus 24:27: “Pois, da mesma maneira como o relâmpago parte do oriente e brilha até no ocidente, assim também se dará a segunda vinda do Filho do homem.” O seu ensinamento principal é que Jesus Cristo regressou à terra nos nossos dias como o Deus Todo-Poderoso encarnado (全能 神), desta vez não como um homem, mas como uma mulher chinesa.[4] O movimento é considerado pelas autoridades chinesas,[5] como um "xie jiao" (um termo frequentemente traduzido como “seita maligna”, mas na verdade usado desde a dinastia Ming para indicar “ensinamentos heterodoxos”)[6] e acusado de vários crimes, incluindo o infame assassinato de Zhaoyuan no McDonald’s (2014).[7] Os oponentes cristãos e a média internacional, por sua vez, descreveram-na como herética.[8] A Igreja nega todas as acusações, e há académicos que concluíram que algumas das acusações que eles investigaram até agora são de facto falsas ou exageradas.[9]
História
Renascimento de 1989 e os Shouters

Embora o movimento nunca mencione o nome dela nem quaisquer detalhes biográficos (embora admita que ela é do sexo feminino), e adverte que qualquer informação fornecida por fontes externas pode estar errada,[3] vários académicos acreditam o Deus Todo-Poderoso encarnado é identificado com uma mulher chinesa, Yang Xiangbin (n. 1973), que nasceu no noroeste da China.[10] Em 1989, durante um renascimento das igrejas independentes chinesas, a pessoa identificada pelo movimento como Deus Todo-Poderoso entrou formalmente no movimento Igreja subterrânea protestante, ou seja, as igrejas Protestantes independentes do governo, e começou a proferir palavras que os seguidores compararam por autoridade e poder àquelas expressas por Jesus Cristo.[11] Naquela época, ela estava a participar nas reuniões dos grupos fundados por Witness Lee, conhecidos como “Local churches” no Ocidente e como “The Shouters” na China,[3] tal como a maioria dos seus primeiros seguidores.[12] Muitos crentes do movimento da Igreja subterrânea acreditavam que essas palavras eram do Espírito Santo e começaram a lê-las em suas reuniões em 1991, de tal forma que as origens da igreja podem ser datadas a partir deste ano, embora só no final de 1992 é que a pessoa que era a fonte dessas mensagens foi reconhecida como Cristo, o Deus encarnado e o único Deus verdadeiro, e A Igreja de Deus Todo-Poderoso surgiu com este nome.[13]
Zhao Weishan

Entre aqueles que aceitaram a pessoa e a mensagem de Deus Todo Poderoso estava Zhao Weishan ( Chinês: 赵维山; nascido em 12 de dezembro de 1951), o líder de um ramo independente de The Shouters.[14] Ele tornou-se uma figura tão importante no movimento que as fontes chinesas o chamam de “fundador”, embora académicos ocidentais acreditem que isso se deva a uma imparcialidade nos polícias chineses, que não aceitariam facilmente que um grande movimento religioso fosse fundado por uma mulher, e que de fato, o título de “fundador” de A Igreja de Deus Todo-Poderoso deveria ser atribuído à pessoa (feminina) que o movimento venera como Deus Todo-Poderoso.[15] De acordo com a académica Australiana Emily Dunn, em 1991, a organização já contava com mais de mil membros. Depois do seu grupo ter sido invadido pela polícia, Zhao deixou Heilongjiang e continuou a organização no condado de Qingfeng, Henan, onde continuou a expandir-se.[16] Mais tarde ele foi reconhecido como o líder e o Sacerdote de A Igreja de Deus Todo-Poderoso. A igreja insiste que é pessoalmente conduzida e pastoreada pela pessoa que reconhece como Deus Todo-Poderoso, e que Zhao, “o homem usado pelo Espírito Santo”, é o líder administrativo do movimento.[17]
Expansão e repressão

O governo chinês suspeitou imediatamente de A Igreja de Deus Todo-Poderoso por causa de seus ensinamentos anti-comunistas,[18] e a dura repressão de meados dos anos 90 atingiu os Shouters e A Igreja de Deus Todo-Poderoso, cujas diferenças teológicas não eram necessariamente claras para as autoridades chinesas.[19] Em 2000, Zhao e Yang foram para os Estados Unidos, onde entraram a 6 de setembro, e em 2001 eles receberam asilo político. Desde então, eles vivem e dirigem o movimento a partir dos EUA.[20] No início de 2009, He Zhexun, que estava encarregado do trabalho da Igreja na China continental, foi preso pelas autoridades chinesas. Em 17 de julho de 2009, Ma Suoping (mulher, 1969–2009), que assumiu a posição de He Zhexun, foi também presa pela polícia chinesa e morreu enquanto estava sob custódia.[3] Apesar da repressão governamental, e do facto de que alguns líderes das principais igrejas cristãs acusaram A Igreja de Deus Todo-Poderoso de heresia,[21] a Igreja cresceu na China e, de acordo com fontes oficiais chinesas, alcançou três ou mesmo quatro milhões de membros em 2014,[22] embora os académicos considerem estes números de alguma forma exagerados. Desde o assassinato de Zhaoyuan no McDonald’s de 2014, a repressão na China intensificou-se, e vários milhares de membros escaparam para o exterior, onde fundaram igrejas na Coreia do Sul, Estados Unidos, Itália, França, Espanha, Canadá, Japão, Filipinas, Portugal e outros países, além dos estabelecidos em Hong Kong e Taiwan, com membros não-chineses também se juntando ao movimento.[23] Uma consequência inadvertida da diáspora foi o florescimento, nos países onde A Igreja de Deus Todo-Poderoso pode operar livremente, de uma considerável produção artística de pinturas e filmes, com alguns filmes ganhando prémios em festivais de cinema cristãos.[24]
Crenças
Três Estágios

O “relâmpago do oriente”, de acordo com a Igreja, é Jesus Cristo retornando como Deus Todo-Poderoso, de um país no leste, China, para inaugurar a terceira era da humanidade, a Era do Reino, que segue a Era da Lei, ou seja, a tempo do Antigo Testamento, e a Era da Graça, que foi desde o nascimento de Jesus até o advento de Deus Todo-Poderoso no século XX.[25] Com o sacrifício de Jesus na cruz, os pecados dos humanos foram perdoados, mas sua natureza pecaminosa não foi erradicada. Na Era do Reino, Deus Todo-Poderoso está trabalhando para erradicar essa natureza pecaminosa.[26] Nas palavras do Deus Todo Poderoso, “O meu inteiro plano de de gerência, um plano que abrange seis mil anos, consiste em três estágios, ou três idades: a Era da Lei no começo, a Era da Graça (que é também a Era da Redenção) e a Era do Reino nos últimos dias. O meu trabalho nessas três idades difere em conteúdo de acordo com a natureza de cada idade, mas a cada estágio está de acordo com as necessidades do homem “; e: “Embora Jesus tenha feito muito trabalho entre os homens, Ele somente completou a redenção de toda a humanidade e se tornou a oferta pelo pecado do homem, e não livrou o homem de toda a sua disposição corrupta ... E assim, depois dos pecados do homem terem sido perdoados, Deus voltou à carne para levar o homem para a nova era.”[27]
Sagradas Escrituras

Na Igreja de Deus Todo Poderoso, a Bíblia é aceite como a escritura sagrada para a Era da Lei e a Era da Graça, embora se argumente que “gravada por seres humanos, contém mensagens de Deus e algumas perceções verdadeiras, que são úteis para conhecer a obra de Deus na Era da Lei e a Era da Graça, mas ela também carrega muitos erros humanos.”[28] No nosso tempo, a igreja acredita que nós encontramos um guia mais seguro nas declarações de Deus Todo-Poderoso, que estão registadas principalmente no livro massivo A Palavra manifesta em Carne, consistindo em mais de um milhão de palavras, abordando um número de questões da história sagrada, teologia, ética e espiritualidade, e considerado como normativo pelo movimento.[3]
Milenialismo

A Igreja de Deus Todo-Poderoso ensina uma forma de milenialismo. A Era do Reino não deve ser confundida com a Era do Reino Milenar, um tempo futuro após os desastres apocalípticos profetizados na Bíblia, quando a mensagem de Deus Todo-Poderoso será aceita em todos os países, a natureza pecaminosa do ser humano será transformada e os humanos purificado pela obra de Deus viverão eternamente na terra.[29] De acordo com a igreja, após o Deus Todo-Poderoso encarnado (que não se crê viver para sempre na Terra) ter completado a obra de Deus na Terra nos últimos dias, as catástrofes profetizadas em o Livro do Apocalipse da Bíblia virão, na forma de fomes, terremotos e guerras. No entanto, “a Terra não será aniquilada, e aqueles que são purificados por Deus serão salvo nos cataclismos dos últimos dias, e viverão na Terra para sempre.”[30] Segundo a académica americana Holly Folk, a divisão da história em várias eras reflete a influência dos Irmãos de Plymouth e outros missionários evangélicos na China. Dispensacionalismo, um método de interpretação bíblica que suporta uma visão cósmica da história que inclui o fim dos tempos, foi desenvolvido no século XIX por John Nelson Darby, “embora também existam diferenças entre Darby e A Igreja de Deus Todo-Poderoso."[30]
Grande Dragão Vermelho

A Igreja do Todo Poderoso Deus acredita que Deus Todo Poderoso é o Jesus que retornou em nossos dias e nasceu na China, um país que, de acordo com a igreja, representa ao mesmo tempo o lugar onde o maligno Grande Dragão Vermelho do Livro do Apocalipse manifestou-se na aparência do Partido Comunista Chinês e onde a Segunda vinda de Cristo também se deve manifestar.[31] Como Emily Dunn notou, a teologia que identifica o Grande Dragão Vermelho com um poder político que persegue os cristãos não foi inventada pela Igreja de Deus Todo Poderoso, mas tem uma longa tradição entre os cristãos chineses, incluindo os Shouters.[31]
Ausências de Sacramentos; adoração

A Igreja de Deus Todo-Poderoso acredita que os sacramentos, incluindo batismo, eram práticas da Era da Graça e não têm lugar na Era do Reino. Consequentemente, não há baptismo na Igreja de Deus Todo-Poderoso, e alguém se torna um membro da igreja confessando que o Deus Todo-Poderoso encarnado é a Segunda Vinda de Jesus Cristo e a aparição do único Deus verdadeiro nos últimos dias, estando disposta a orar em nome de Deus Todo-Poderoso, e ser capaz de compreender e aceitar as crenças da Igreja de Deus Todo-Poderoso.[32] A ausência de sacramentos não significa que reunir, orar e adorar a Deus não seja importante para os membros da Igreja de Deus Todo-Poderoso. Eles “comungam” regularmente, reunindo-se e discutindo as suas escrituras sagradas, ouvindo sermões, cantando hinos e compartilhando testemunhos; o académico italiano Massimo Introvigne observa que, nesse sentido, “a intensidade da vida religiosa contrasta com um estilo minimalista de culto.”[32]
Controvérsias

Acusações de crimes graves contra A Igreja de Deus Todo-Poderoso, que frequentemente aparece nos média, vêm de duas fontes: o Partido Comunista Chinês e outras igrejas cristãs.[3] O governo chinês e os média acusam periodicamente A Igreja do Todo Poderoso Deus de crimes. As acusações mais frequentes dizem respeito a quatro incidentes principais: o assassinato de Zhaoyuan no McDonald’s de 2014, a retirada dos olhos de um menino em 2013 em Shanxi,[33] o sequestro de líderes cristãos em 2002,[8] e tumultos ligados a anúncios de que o fim do mundo ocorrerá em 2012.[34] Fontes oficiais chinesas também ocasionalmente mencionam outras acusações. Em 2017, académicos ocidentais, incluindo Massimo Introvigne e Holly Folk, que estudaram a igreja, foram convidados em Henan pela Associação oficial Anti-Culto da China para uma conferência sobre seitas perigosas e A Igreja de Deus Todo-Poderoso.[35] Uma segunda conferência foi organizada pela mesma Associação Anti-Culto da China no final de 2017 em Hong Kong, e os académicos receberam informações e documentos oficiais da polícia chinesa relacionados com crimes que estes consideravam ser culpa de A Igreja de Deus Todo-Poderoso.[36] Eles observaram que as acusações adicionais parecem ser menos frequentemente mencionadas e menos suportadas por documentos quando comparadas com as acusações sobre os quatro principais incidentes.[37] Enquanto a Igreja é frequentemente acusada de ser “contra a família”, um estudo publicado pelo mesmo Introvigne em 2018 no Interdisciplinary Journal of Research on Religion da Baylor University argumentou que na realidade, a sua teologia da família é bastante tradicional e conservadora, e apresentou provas de inquérito mostrando que a maioria dos membros chineses que escaparam para a Coreia do Sul, Estados Unidos e Filipinas foram convertidos à Igreja de Deus Todo-Poderoso por membros de sua própria família.[38]
Assassinato de Zhaoyuan no McDonald’s

A 28 de Maio de 2014, seis “missionários” que alegavam representar o “Deus Todo Poderoso” provocaram protestos nacionais quando atacaram e mataram uma mulher em um restaurante McDonald’s em Zhaoyuan, uma cidade na província de Shandong da China. Cinco dos “missionários” (o sexto era menor) foram julgados e condenados a 10 de Outubro. Dois foram sentenciados à morte e executados em 2015, um a prisão perpétua, e os outros dois a 7 e 10 anos de prisão.[39] O assassinato do McDonald’s foi mais tarde estudado por académicos de novos movimentos religiosos como Emily Dunn,[40] David G. Bromley e Massimo Introvigne.[41] Eles chegaram a conclusões diferentes em relação a relatos anteriores da maioria dos meios de comunicação chineses e ocidentais, e argumentaram que os assassinos faziam parte de uma pequena seita independente não ligada ao Relâmpago do Oriente, que usava as palavras “Deus Todo-Poderoso” para designar como uma “divindade dual” as suas duas líderes femininas, Zhang Fan (filha do principal assassino, Zhang Lidong, que foi executada com seu pai em 2015) e Lü Yingchun.[42] No julgamento, os réus declararam explicitamente que, embora ambos usassem o nome “Deus Todo Poderoso”, o grupo deles e A Igreja de Deus Todo Poderoso, liderados por Zhao Weishan, eram duas organizações diferentes. Um dos líderes, Lü Yingchun, declarou: “o estado rotulou a falsa ‘Igreja de Deus Todo-Poderoso’ de Zhao Weishan como um ‘culto maligno’, e os rotulamos como ‘espíritos maus’. Somente Zhang Fan e eu ... poderíamos representar a verdadeira ‘Igreja de Deus Todo-Poderoso.’ Zhang Fan e eu somos as únicas porta-vozes do verdadeiro ‘Deus-Todo Poderoso’. O governo vem reprimindo o Deus Todo-Poderoso em que Zhao Weishan acredita, não o ‘Deus Todo-Poderoso’ que nós mencionamos. Eles são falsos ‘Deus Todo-Poderoso’, enquanto nós somos o verdadeiro ‘Deus Todo-Poderoso’.”[43] A média chinesa publicou posteriormente as confissões de dois membros do grupo que estão na prisão, Lü Yingchun e Zhang Hang, que dizem ter sido “reeducadas” com sucesso. Elas alegam que os líderes do grupo haviam lido alguma literatura da Igreja de Deus Todo-Poderoso, mas sustenta que foi um movimento diferente com diferentes crenças centrais.[44]
Caso de Guo Xiaobin

A 24 de agosto de 2013, uma mulher arrancou os olhos de um menino chamado Guo Xiaobin em Shanxi. Mais tarde, o menino tornou-se famoso internacionalmente pela cirurgia de prótese ocular bem-sucedida realizada em Shenzhen.[45] Após o assassinato no McDonald’s, alguns meios de comunicação social chineses atribuíram o crime a membros da Igreja de Deus Todo-Poderoso.[46] Um estudo da académica americana Holly Folk, escrito após sua participação nas duas conferências de 2017 organizadas pela Associação Anti-Culto da China, reparou que a polícia chinesa encerrou o caso em setembro de 2013 ao concluir que o crime foi perpetrado pela tia de Guo Xiaobin e não tinha nada a ver com A Igreja de Deus Todo-Poderoso. Só depois do assassinato no McDonald’s em 2014 é que alguns anticultistas chineses começaram a mencionar A Igreja de Deus Todo-Poderoso em conexão com o incidente.[47] Folk também notou que as acusações de arrancamento de olhos de vítimas chinesas eram um tema comum na propaganda anti-cristã chinesa desde pelo menos o século XIX.[48]
Acusações de rapto de líderes Cristãos

Alguns líderes de outras igrejas cristãs acusaram A Igreja de Deus Todo-Poderoso de “heresia” e de “roubar ovelhas” por meio de estratégias desonestas. As acusações incluem a alegação de que, em 2002, a Igreja de Deus Todo-Poderoso sequestrou trinta e quatro líderes da China Gospel Fellowship (CGF) para convertê-los.[49] Um número de cristãos no Ocidente achou as acusações credíveis.[50] Num estudo publicado em 2018, Introvigne encontrou inconsistências na história contada pela China Gospel Fellowship, achou estranho que ninguém fosse preso ou levado a julgamento pelo crime, e concluiu que não era impossível que, ao inventar a história do rapto, a China Gospel Fellowship tentasse simplesmente justificar o facto de que muitos dos seus membros, incluindo líderes nacionais, se tivessem convertido à Igreja de Deus Todo-Poderoso, embora outras interpretações dos acontecimentos também permanecem possíveis.[51]
Previsões do juízo final de 2012

A previsão do dia do juízo final do apocalipse em relação ao ano de 2012 teve grande popularidade na China, onde o filme 2012 foi popular e um alguns empreendedores lucraram e venderam " arcas” para sobreviver ao apocalipse putativo.[52] Dentro da estrutura global do fenômeno de 2012, com base nas profecias atribuídas à civilização maia, A Igreja de Deus Todo-Poderoso foi acusada de prever o fim do mundo para 2012, causando tumultos e até mesmo crimes em torno da China.[53] Imediatamente antes da data do juízo final “Maia” de 21 de dezembro de 2012, o governo chinês prendeu 400 membros da Igreja de Deus Todo-Poderoso na China central,[54] e até 1000 de outras províncias da China.[55] A acadêmica australiana Emily Dunn, no que foi o primeiro livro acadêmico dedicado à Igreja de Deus Todo-Poderoso em 2015, observou que, como muitos chineses, alguns “membros do Relâmpago do Oriente adotaram a profecia Maia”, mas “parecem ter feito isso sem terem recebido o aval das autoproclamadas autoridades do grupo", que de fato declararam a teoria “Maias” e outras teorias sobre o fim do mundo como teologicamente e factualmente “equivocadas.”[56] Introvigne observou que a posição dos membros da Igreja de Deus Todo-Poderoso que aceitaram e divulgaram as profecias sobre o fim do mundo em 2012, alguns dos quais foram expulsos da igreja, “não era consistente com a teologia da Igreja. Deus Todo-Poderoso não anuncia o fim do mundo, mas sua transformação. E isso não ocorrerá antes que a obra de Deus Todo-Poderoso na Terra seja concluída”, isto é, antes que a pessoa reconhecida como Deus Todo-Poderoso faleça, enquanto ela estava viva e bem em 2012.[3]
Questões sobre refugiados

Particularmente após a repressão que se seguiu ao assassinato do McDonalds em 2014, milhares de membros da Igreja de Deus Todo-Poderoso escaparam para a Coreia do Sul, Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, França, Austrália, Portugal e outros países, procurando o estatuto de refugiado. Embora as autoridades de alguns países afirmem que não há evidências suficientes para suportar o facto de que os solicitantes de asilo tenham sido perseguidos, alguns especialistas internacionais contra-argumentam que a evidência de que A Igreja de Deus Todo-Poderoso é perseguida é suficiente para sustentar a conclusão de que os membros enfrentariam sérios problemas caso regressassem à China e as decisões desfavoráveis aos requerentes não se justificam.[57]
Reclamações de notícias falsas

A Igreja de Deus Todo-Poderoso afirma ser vítima de notícias falsas instigadas pelo Partido Comunista Chinês. A Igreja insiste que alguns panfletos e cartazes retratados em sites chineses e ocidentais como evidência da suas profecias de 2012 foram, na verdade, fabricados ou derivados de alterações com o Photoshop e outras técnicas a partir de materiais existentes da Igreja de Deus Todo-Poderoso.[3] Alguns estudiosos de facto estudaram certas campanhas chinesas contra a Igreja como um exemplo clássico de notícias falsas.[58] A Igreja também denunciou a existência no Reino Unido de Web site falso “Igreja de Deus Todo-Poderoso do Reino Unido.”[59] Tentativas da Igreja de Deus Todo-Poderoso para remover o website foram até agora sem sucesso, apesar de os estudiosos afirmarem que o facto do site não representar as posições e teologia de A Igreja de Deus Todo-Poderoso deverá ser óbvio para alguém familiarizado com este assunto.[3]
Ver tambémCristianismo na China
Notas
↑ Escrito sempre com “A” maiúsculo; chinês tradicional: 全能神教會, chinês simplificado: 全能神教会, pinyin: Quánnéng Shén Jiàohuì
Referências
Citações
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Quem é Kacou Philippe?



Por IEPAZ Santos / 21 de dezembro de 2021 / Sem comentários




Kacou Philippe (Abidjan, dezembro de 1972) é um pregador marfinense. Também autointitulado como único profeta divino de todas as religiões na terra! Assim conseguiu popularidade e milhares de seguidores da Costa do Marfim afora.

Tudo começou com uma visão que ele alega ter tido em 24 de abril de 1993. Diante de muita dúvida, ele vai até um sacerdote católico para pedir explicação de tal visão, como obteve pouco com o padre, ele ruma pra outro caminho, ficando entre os Batistas por três meses. Logo após essa experiência com os Batistas, ele se encontra com o movimento de William Marrion Branham, uma seita heterodoxa e contrária aos ensinos basilares do cristianismo. É com este movimento que ele permanece como um fiel simples de 1993 até 2002.

Em 13 de maio de 2016, Kacou Philippe foi preso em sua residência pelas autoridades da Costa do Marfim por desafiar a autoridade do Estado, incitamento ao ódio religioso e ao radicalismo criminoso. Ele é um tipo de religioso que procura transformar os mais humildes em marginais e inimigos da sociedade, em outras palavras, é um deturpador da ordem social e um inimigo dos valores cristãos ocidentais. Seus argumentos pueris só podem afetar mesmo as mentes mais fracas e pessoas sem estrutura teológica! Um bom frequentador da Escola Bíblica Dominical jamais cairia na conversa de uma pessoa dessa estirpe!

O COMEÇO DO MINISTÉRIO

Kacou Philippe começou seus sermões públicos em julho de 2002, depois de uma segunda visita do “anjo”, anjo que tinha lhe aparecido em 1993. Ele afirma ser o profeta e mensageiro do clamor da meia-noite, de acordo com Mateus 25.6.

Para Kacou Philippe, todas as igrejas servem ao diabo em nome de Jesus Cristo. Ele relata várias outras visões tidas por ele em 1993, onde ele diz ter visto os líderes das igrejas em formas estranhas: “Seus corpos eram corpos de homens, mas suas cabeças eram cabeças de animais diferentes” . Em seguida, iniciava os primeiros debates e confrontos.

Refutação:

Primeiro, deve-se colocar a palavra de Deus acima de todas as outras supostas argumentações, inclusive das “angelicais” – vejamos:

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Gálatas 1.8,9

E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. 2 Coríntios 11.14

Pena que o jovem “profeta” não se estribou na verdade, mas num anjo das trevas qualquer!
O BATISMO DE ACORDO COM KACOU PHILIPPE

Para Kacou Philippe a História da Igreja é a História dos Batismos – inventado por ele:

A) O Batismo de João Batista, e é o batismo de arrependimento.

B) Então vem o batismo da remissão de pecados, com os apóstolos.

C) Na Reforma, vem o batismo de justificação pela fé com Martinho Lutero.

D) Depois vem o batismo do renascimento da Igreja.

E) Logo em seguida surge o batismo de adoção.

F) O batismo de santificação com John Wesley.

G) O batismo de regeneração com Pentecostalismo.

H) O batismo da restauração, com William Branham, o profeta da Igreja do Tabernáculo.

I) E finalmente o batismo de restituição, com Kacou Philippe. E ele diz que, fora isso, todos outros batismos são falsos, mesmo que seja feito em nome de Jesus Cristo ou em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo por imersão.

Refutação:

A respeito desses supostos batismos, não passam de meras especulações, pois a ordem para Batizar os discípulos que abraçariam a fé foi dada pelo próprio Senhor Jesus: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (Mateus 28.19). A finalidade do Batismo era expressar o sentimento intrínseco de salvação de cada cristão. O Batismo sempre foi um símbolo ou um memorial e nada mais que isso!

Sobre o batismo em nome de Jesus, clique aqui.
KACOU PHILIPPE E A BÍBLIA

Kacou Philippe vê a Bíblia como um mero espelho retrovisor de um carro ou um livro de história qualquer. Para ele, a Bíblia é um vestígio da pré-história cristã e judaica e não pode, de maneira alguma, dar vida eterna. Ele queima todas as versões da Bíblia que ele considera perigosas para a fé dos seus seguidores. Kacou Philippe redefine o que é a Palavra de Deus, fazendo a diferença entre a Palavra de Deus (verdades reveladas) e a teologia (o conhecimento adquirido por meio da inteligência). Ele redefiniu todo o cristianismo em um livro chamado “O Livro do Profeta Kacou Philippe”, publicado em três volumes na Edilivre Editions, na França.

Refutação:

Bem, só por isso, este profeta já pode ser classificado de FALSO PROFETA. Olhar para a Bíblia como um mero livro de história e não como a Palavra de Deus, já é um dos predicados mais fortes para precipitar qualquer indivíduo na condição de inimigo da Graça de Deus!

E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito… 1 Coríntios 4.6

SOLA GRATIA é um dos CINCO SOLAS que a Igreja verdadeira de Jesus jamais poderia abandonar. Somente a Palavra de Deus pode sustentar a Igreja e nada mais, pois: Nela nós encontramos alegria e prazer (Jeremias 15.16); Ela nos santifica (SaImos 119.11); Ela nos torna gratos de coração (Colossenses 3.16), purificados (Efésios 5.25-27); preparados (Efésios 6.17), esperançosos (Romanos 15.4) e aprovados (2Timóteo 2.15); Porque nela encontramos revelado o amor de Deus à humanidade (João 3.16); Ela testifica do único Salvador (João 5.39); Porque quem não a lê, erra (Mateus 22.29); Porque ela deve ser observada (Josué 1.7); Porque quem a lê se torna sábio para a salvação (2Timóteo 15); Porque orienta-nos a pedir as coisas somente a Deus (João 14.13); Porque ela nos mostra que o querer de Deus é a nossa salvação (1Timóteo 2.3-4); Porque ela permanece para sempre (1Pedro 1.23-25).
KACOU PHILIPPE E O CRISTIANISMO

Ele redefine a divindade de Jesus Cristo, a confissão dos pecados que devem ser públicos, o lugar das mulheres na Igreja, o batismo da água, o Espírito Santo, o profeta, a relação entre a Igreja e estado e muitos outros aspectos do cristianismo. Sobre isso, ele se recusou a comparecer em uma reunião pra discutir o assunto no seu país.

Refutação:

Como todas essas questões já estão respondidas no site do CACP, segue aqui os links pra sua pesquisa:

Sobre o Batismo:

http://www.cacp.org.br/o-batismo-biblico/

Sobre o Espírito Santo:

http://www.cacp.org.br/quem-e-o-espirito-santo/

Sobre o perigo dos falsos profetas:

http://www.cacp.org.br/como-posso-reconhecer-um-falso-profeta/

Sobre a Divindade de Jesus:

http://www.cacp.org.br/a-divindade-de-jesus/

Sobre a Seita Tabernáculo da Fé:

http://www.cacp.org.br/o-tabernaculo-da-fe/

Sobre as mulheres na Bíblia:

http://www.cacp.org.br/a-biblia-limita-o-ministerio-das-mulheres/

Fonte de pesquisa: https://pt.everybodywiki.com/Kacou_Philippe

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Gnosticismo


Parte da série sobre
Gnosticismo




O gnosticismo (do grego Γνωστικισμóς; romaniz.: gnostikismós; de Γνωσις, gnosis: 'gnose', e gnostikos: 'conhecedor, sábio') é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas oriundas da região do mediterrâneo durante os séculos I e II d.C., alicerçado em interpretações de relatos bíblicos e apócrifos pelo viés filosófico médio-platônico e de cultos de mistérios greco-romanos e orientais. Mesclara-se ao cristianismo primitivo dos primeiros séculos desta era, e fora condenado como heresia após um período de prestígio entre os intelectuais cristãos.[1]

Com base em interpretações heterodoxas e alternativas do pentateuco e doutros relatos da Escritura hebraica e cristã, os gnósticos afirmam que o universo material (cosmo) foi criado por uma emanação imperfeita do Deus supremo chamada demiurgo, para prender a centelha divina (espírito) no corpo humano. Esta centelha divina poderia, então, ser liberta através da gnose: que seria o conhecimento intuitivo sobre o espírito e a natureza da realidade.

As ideias e ramos gnósticos floresceram no mundo mediterrâneo no século II d.C., em conjunto e trocando influências com os primeiros movimentos cristãos e médio-platônicos. Mesmo com um considerável declínio após o século II, o gnosticismo sobreviveu sub-repticiamente ao longo dos séculos na cultura ocidental, remanifestando durante o Renascimento através do esoterismo ocidental, assumindo a proeminência com a espiritualidade moderna. Do Império Persa, o gnosticismo se alastrou até a China através do maniqueísmo, ao passo que o mandeísmo ainda vive no Iraque.

As primeiras definições e tentativas de destrinchar o gnosticismo ocorreram no contexto da Era cristã.[2][3] Embora alguns estudiosos suponham que o gnosticismo seja anterior ou contemporâneo ao cristianismo, todos os textos gnósticos até hoje descobertos são posteriores à primeira metade do século I, época em que o cristianismo já estava estabelecido como religião através dos apóstolos.[4]

O estudo do gnosticismo e do cristianismo primitivo de Alexandria foram ambos reacesos após a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi, em 1945.[5]
O termo gnosticismo

Bispo Ireneu, quem usou pela 1ª vez o termo "gnóstico" para descrever as heresias

A terminologia gnosticismo, ipsis litteris, não consta em fontes antigas.[6] Cunhado por Henry More em um comentário sobre as Sete Igrejas do Apocalipse,[7] gnosticisme foi o neologismo escolhido por More para descrever a heresia tiatirense (Apocalipse 2:18–29), no mesmo sentido que seu contemporâneo Henry Hammond usou a expressão gnostick-heresi. Esta última expressão vem da literatura patrística e heresiológica do início do cristianismo, especialmente a do Bispo Ireneu de Lião.[8]

Isto ocorre no contexto do tratado do Pe. Ireneu, Contra as heresias, (em grego: ἔλεγχος καὶ ἀνατροπὴ τῆς ψευδωνύμου γνώσεως; elenchos kai anatrope tes pseudonymou gnoseos) onde o termo pseudonymos gnosis ("falsamente chamada gnose") abrange vários grupos tachados por Ireneu como sectários da Igreja (não apenas o do heresiarca Valentim), e é uma citação direta da exortação paulina para manter "horror aos clamores vãos e profanos da falsamente chamada ciência (coiné: Γνωσις, gnosis), a qual professando-a alguns, se desviaram da fé." (I Timóteo 6:20-21)[9][10]

O significado comumente aceito de gnostikós em clássicos gregos é "aquele que sabe" ou "que entende", como na comparação entre "o que pratica" (praktikós) e "o que entende" (gnostikós) usada no colóquio entre Platão, Sócrates e o jovem estrangeiro no tratado Político (258e).[11] A preferência de Platão pelo vocábulo gnostikós é muitíssimo típica nos clássicos.[12]

Durante o período helenístico, gnostikós passou também a ser associado aos cultos de mistérios greco-romanos, tornando-se até sinônimo de mistério (gr. μυστήριον, mustḗrion). Gnostikós não é usado no Novo Testamento para se referir a grupos ou indíviduos específicos além da supracitada e genérica mênção paulina em Timóteo, mas Clemente de Alexandria no Livro Sétimo do Stromata enaltece o "culto" gnostikós autenticamente cristão. A aplicação de gnostikós na forma pejorativa e associada às heresias começa com as análises críticas de Ireneu. Alguns estudiosos, por exemplo A. Rousseau e L. Doutreleau, tradutores da edição francesa (1974),[13] consideram que Ireneu às vezes escrevia gnostikós querendo dizer apenas "entendedor", como em 1.25.6, 1.11.3, 1.11.5, e "seitas de entendedores" (Adv. Haer. 1.11.1) quando queria criticar designações e seitas específicas. Evidências em favor disso aparecem quando Ireneu começa a utilizar comparativos como gnostikeron (i.e. "mais entendido" ou "mais sábio"), já que nunca existiu a forma "mais gnóstico" como nome próprio de uma seita.[14] Dentre os grupos que Ireneu identificou como "seitas de entendedores" (gnostikós), estavam os marcelinos e os setianos ou barbelognósticos, um dos mais notórios a se autoidentificar com o nome gnostikós.[15] Mais tarde, o Bispo Hipólito aplicou gnostikós indiscriminadamente como labéu contra heresiarcas como Cerinto e os ebionitas, enquanto Epifânio fez o mesmo somente contra seitas específicas.

Per se, a aplicação do termo gnosticismo como categoria genérica é problemática, pois mesmo Ireneu e seus sucessores conceituaram uma única tipologia para os vários grupos existentes à época. Essa noção varia um pouco ao perceber-se que o gnosticismo admite muitas exceções.[16] E ainda, o termo "gnosticismo" tem sido aplicado como labéu a diversas seitas modernas com cerimoniais arcanos e iniciáticos, ou mesmo ressignificado para enquadrar ideologias políticas e facções sociais (como faz Eric Voegelin), mesmo que muitas delas não explicitem nenhuma autoidentificação com os gnósticos históricos. Longe de esclarecerem, essas generalizações só obscurecem ainda mais o conceito e dificultam a verdadeira compreensão histórica do gnosticismo enquanto movimento.[17]
Características gerais

Não existe um sistema gnóstico único e uniforme. No entanto, há semelhanças suficientes para justificar uma caracterização geral, lembrando que nem todos os sistemas incluem todos os elementos e nesses termos.[18] Estas características são particulares ao gnosticismo cristão (de forma antagónica ou não à figura de Cristo):A estimativa do mundo, devido ao que precede, como uma falha ou produto de um "erro", mas, possivelmente, benévolo na medida do que o limite material permitir;[19]A introdução de um deus criador distinto ou demiurgo, que é uma ilusão e depois emanação a partir do único mónada ou fonte. Este segundo deus é um deus menor, inferior ou falso. Esse deus criador é comumente referido como o demiourgós.[20] O demiurgo gnóstico apresenta semelhanças com as figuras de Platão em Timeu e A República. No primeiro caso, o Demiurgo é uma figura central, um criador benevolente do universo que trabalha para tornar o universo tão benevolente quanto possível dentro do que as limitações da matéria permitirão, neste último, a descrição de um desejo "leonino" no modelo de psique de Sócrates tem semelhança com as descrições do demiurgo como tendo a forma de um leão, a passagem relevante de A República foi encontrada dentro da Biblioteca de Nag Hammadi;[21]Jesus é identificado por alguns gnósticos como uma encarnação do Ser Supremo para trazer a gnōsis para a terra.[22] Entre os mandeístas, Jesus foi considerado um mšiha kdaba ou "falso messias", que perverteu os ensinamentos que lhe foram confiados por João Baptista.[23] Outras tradições identificam Maniqueu e Sete, como o terceiro filho de Adão e Eva, como a figura de salvação;[24]Desejo de conhecimento especial e íntimo dos segredos do universo. A salvação gnóstica era da ignorância e não do pecado. O conhecimento não era apenas o meio de salvação, era a única real salvação. O conhecimento era o conhecimento do verdadeiro self, seu lugar no Pleroma e um retorno de lá.[18]
Dualismo e monismo

Normalmente, os sistemas gnósticos são vagamente descritos como sendo de natureza "dualista" , o que significa que eles têm a visão de que o mundo é composto ou explicável através de duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: "A característica fundamental do pensamento gnóstico é o dualismo radical que rege a relação de Deus e do mundo, e, correspondentemente, a do homem e do mundo".[25]Dualismo radical

Ou dualismo absoluto, postula duas forças divinas co-iguais. O maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistentes de luz e de escuridão que se envolveram em um conflito, devido às ações caóticas desses últimos. Posteriormente, alguns elementos de luz tornaram-se presos dentro de trevas, o propósito da criação material é decretar o lento processo de extração destes elementos individuais, ao final do qual o reino da luz prevaleça sobre as trevas.[26][27]Monismo qualificado

Onde se discute se a segunda entidade é divina ou semi-divina. Os elementos das versões do mito gnóstico valentiniano sugerem para alguns que a sua compreensão do universo pode ter sido monista, em vez de dualista. Elaine Pagels afirma que "gnosticismo valentiniano [...] difere essencialmente do dualismo"[28] enquanto que de acordo com Schoedel: "um elemento padrão na interpretação do valentinianismo e formas semelhantes de gnosticismo é o reconhecimento de que eles são fundamentalmente monistas".[29] Nesses mitos, a malevolência do demiurgo é mitigada; sua criação de uma materialidade falha não é devido à falta de qualquer moral de sua parte, mas devido a sua imperfeição em contraste com as entidades superiores de que ele não tem conhecimento.[19] Como tal, os valentinianos já tem menos motivos para tratar a realidade física com o igual desprezo que os gnósticos setianistas. A tradição valentiniana concebe materialidade, não como sendo uma substância separada do divino, mas atribuída a um "erro de percepção" que foi simbolizado mítica e poeticamente como o ato da criação material.[19]
Conceitos e termos

Note que o texto a seguir é formado por resumos das várias interpretações gnósticas reunidas. Os papéis de alguns seres mais familiares, como Jesus, Sofia e o Demiurgo geralmente compartilham os temas centrais entre os vários sistemas, mas pode haver algumas diferentes funções ou identidades atribuídos a eles em cada uma.Æon
Ver artigo principal: Aeon (gnosticismo)

Em muitos sistemas gnósticos, os aeons são várias emanações de um deus superior, que também é conhecido por nomes como Mônada, Aion teleos (grego: "O Perfeito Aeon"), Bythos (grego: Βυθος - 'profundidade') e muitos outros (veja o artigo principal). Deste ser inicial, também um Aeon, uma série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o hermafrodita Barbelo[30][31][32] de quem sucessivos pares de Aeons emanam, frequentemente em pares masculino-feminino chamados de sizígias;[33] o número destes pares varia de texto para texto, embora alguns identifiquem seu número como sendo trinta.[34]Arconte
Ver artigo principal: Arconte (gnosticismo)

Arconte no singular, (em grego: ἄρχων, pl. ἄρχοντες; "alto oficial", "chefe", "magistrado") seria qualquer um dos seres que foram criados juntamente como mundo material por uma divindade subordinada chamada o Demiurgo (Criador). Os gnósticos eram dualistas religiosas, que considerou que a matéria é má e o espírito bom e que a salvação é alcançada através do conhecimento esotérico, ou gnose. Porque os gnósticos do segundo e terceiro séculos - geralmente originadas dentro do cristianismo - consideravam o mundo material como definitivamente mal ou como o produto de erro, os arcontes eram vistos como forças maléficas.[35]Abraxas / Abrasax
Ver artigo principal: Abraxas

Abraxas ou Abrasax é o nome gnóstico para o semideus que governa o 365o aeon, a esfera final e mais alta. Os demonologistas cristãos colocam Abraxas no mesmo patamar de demônios. Jung chamou Abraxas de "o realmente terrível" por sua habilidade em gerar verdade e falsidade, bem e mal, luz e sombra com as mesmas palavras e o mesmo empenho.[36]

Demiurgo, (em grego: δημιουργός)
"Aurora do Mundo" de William Blake,1794Demiurgo
Ver artigo principal: Demiurgo

O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιουργός), literalmente, "artesão", "alguém com habilidade específica", de dēmios do povo, popular (dēmos, pessoas ou povo) e ourgos, trabalhador (ergon, trabalho).[37] No gnosticismo, o Demiurgo não é Deus mas o arconte ou chefe da ordem dos espíritos inferiores ou éons. De acordo com os gnósticos, o Demiurgo era capaz de dotar o homem apenas com psiquê (alma sensível) - o pneuma (alma racional) seria adicionada por Deus. Os gnósticos identificaram o Demiurgo com Jeová dos hebreus.[38][39]Gnose
Ver artigo principal: Gnose

Gnose vem da palavra grega gnosis (γνῶσις) "conhecimento" significando o conhecimento direto sobre o divino que por si só provê a salvação (assim conquistando o codinome de "Alta Teologia"). Para os gnósticos antigos, a gnosis existia no âmbito da cosmologia, do mito, da antropologia e da prática usada dentro de seus grupos. Assim, a gnose não era apenas a iluminação mas viria acompanhada por uma compreensão - como expressado nos Resumos de Teódoto de Bizâncio- sobre "quem éramos, o que nos tornamos, onde estávamos, para onde fomos lançados, para onde estamos indo, do que estamos libertos, o que é o nascimento e o que é renascimento".[40]Mônada
Ver artigos principais: Mônada (gnosticismo) e Henosis

Do latim monad, monas, do grego monos,[41] no sentido de "unidade última e indivisível", aparece bem cedo na história da filosofia grega. Nos relatos antigos das doutrinas de Pitágoras, ocorre como o nome da unidade a partir do qual - como no princípio de arquétipo - todos os números e multiplicidades são derivados.[42]Pleroma
Ver artigo principal: Pleroma

Pleroma (πληρωμα) geralmente se refere à totalidade dos poderes de deus. O termo significa "plenitude" e é usado em vários contextos teológicos cristãos: tanto gnósticos em geral, como também no cristianismo (como em «Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Colossenses 2:9)).Sofia
Ver artigo principal: Sofia (gnosticismo)

Sofia ou Sophia (em grego: Σοφία) é aquilo que detém o "sábio" (σοφός; "sofós"). Na tradição gnóstica, Sofia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (veja a Noiva de Cristo) e o Espírito Santo da Trindade. Ocasionalmente é referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth (Ἀχαμώθ) e como Prouneikos (Προύνικος, "A Libidinosa"). Nos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, Sofia é o mais baixo dos Aeons ou a expressão antrópica da emanação da luz de Deus.[43]
Escolas gnósticas

As escolas gnósticas podem ser definidas como sendo membros de duas vertentes, a Escola Persa ou do Leste e da Escola Sírio-Egípcia. [44]
Gnosticismo persa

Sacerdotes maniqueístas escrevendo em suas mesas, há uma inscrição em Língua sogdiana no painel central. Manuscrito de Khocho, Bacia do Tarim
Ver artigos principais: Mandeísmo e Maniqueísmo

A Escola Persa possui tendências dualistas mais fáceis de serem demonstradas e que refletem a influência das crenças dos zoroastras (seguidores de Zoroastro) persas. Aparecendo na Babilônia, seus escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos locais e são representativos das crenças e formas mais antigas do gnosticismo. Esses movimentos são considerados pela maioria dos estudiosos como religiões, não apenas emanações do cristianismo ou do judaísmo.[44]Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Cuzistão. O nome do grupo deriva do termo Mandā d-Heyyi, que significa "Conhecimento da Vida". Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no maniqueísmo, apesar de certos laços com o cristianismo,[45] os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus ou Maomé. Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por eles. Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II d.C.. Existe também o Qolastā, ou "Livro Canônico de Oração" e o sidra ḏ-iahia, o "Livro de João Batista".Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi fundado pelo profeta Manes (216–276 d.C.). Embora acredite-se que a maior parte das Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em Colônia, Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos. Como disse Mani, "O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos", e "É o Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para perdição através dos desejos que lhes ensinou".[46][47]
Gnosticismo sírio-egípcio
Ver artigo principal: Gnosticismo siríaco-egípcio

As doutrinas da escola sírio-egípcia tendem ao monoteísmo e, entre as exceções, estão movimentos relativamente modernos que incluem elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos. Elas são derivadas de influências platônicas que, em geral, retratam a criação como uma série de emanações de uma força única primal. Como resultado desta crença, há uma tendência em enxergar o mal em termos materiais e desprovido de intenções benévolas, algo oposto à ideia mais comum de que o mal seria uma força equivalente ao bem. Essas escolas usam os termos "bem" e "mal" como relativos e autodescritivos.
Seitas e grupos gnósticos

"A morte de Simão Mago" na Crónica de Nuremberg ("Liber Chronicarum", 1493).Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser descritos como pseudo- ou proto-gnósticos. Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antioquia também pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico, porém a maior parte dos estudiosos não entende assim.[48]
Cerinto (c. 100 d.C.), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material. Porém, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na segunda vinda de Cristo. Sua gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto.[49]
Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte de conhecimento.
Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como Esaú, Coré e os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso depreciá-lo com atitudes imorais (veja libertinismo). O nome 'cainita' não é utilizado aqui no sentido bíblico de "descendentes de Caim" (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio).
Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus.
Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos nicolaítas
Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino.
Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o paulicianismo armênio e o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro Império Búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa.
Cátaros (Cathari, Albigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos.[50]
Neoplatonismo e gnosticismo
Ver artigos principais: Neoplatonismo e gnosticismo e Neoplatonismo e cristianismo
Filosofia grega antiga e gnosticismo
Ver artigo principal: Academia de Platão

As primeiras origens do gnosticismo são obscuras e ainda contestadas. Por esta razão, alguns estudiosos preferem falar de "gnosis" ao se referir às ideias do século I que mais tarde evoluíram para o gnosticismo e reservar o termo "gnosticismo" para a síntese dessas ideias em um movimento coerente, no século II.[51] Influências prováveis incluem Platão, o Médio platonismo e as escolas ou academias de pensamento neopitagóricas e isto parece ser verdade em ambos os gnósticos do setianismo e os do valentianismo. [52] Além disso, se compararmos diferentes textos setianistas uns aos outros em uma tentativa de criar uma cronologia do desenvolvimento do Setianismo durante os primeiros séculos, parece que os textos posteriores continuam a interagir com o platonismo. Textos anteriores, como o Apocalipse de Adão mostram sinais de ser pré-cristão e se concentram em Sete, o terceiro filho de Adão e Eva. Estes primeiros setianistas podem ser idênticos ou relacionados com a Nazarenos, Ofitas ou aos grupos sectários chamados de herético por Fílon de Alexandria.[53][54]

Textos setianos tardios como Zostrianos e Alógenes criam sobre as imagens de textos setianos mais antigos mas utilizam "um grande fundo de conceituação filosófica derivada do platonismo contemporânea, (médio platonismo tardio) com vestígios de conteúdo cristão ".[55] Na verdade, a doutrina do "um único formado por três" (a trindade) é encontrada no texto de Alógenes, como descoberto na Biblioteca de Nag Hammadi e é "a mesma doutrina encontrada nos comentários anônimos em Parmênides (Fragmento XIV) que são atribuídos por Hadot a Porfírio e também, a encontramos na Enéadas de Plotino 6.7, 17, 13-26".[52]

No entanto, os neoplatônicos do século III, como Plotino, Porfírio e Amélio da Toscana atacam os Setianistas. Parece que o Setianismo começou como uma tradição pré-cristã, possivelmente sincrética[56] que incorporou elementos do platonismo e do cristianismo à medida que crescia, apenas para que ambos o cristianismo e o platonismo os rejeitassem se voltassem contra eles. O professor John Turner acredita que este duplo ataque levou à fragmentação do Setianismo em numerosos grupos menores como arcônticos, audianos, borboritas, fibionitas, estratiônicos e outros.[57]

O estudo sobre o gnosticismo tem avançado muito desde a descoberta e a tradução dos textos de Nag Hammadi que lançam alguma luz sobre alguns dos comentários mais intrigantes feitos por Plotino e Porfírio sobre os gnósticos. Mais importante ainda, as versões ajudam a distinguir os diferentes tipos dos primeiros gnósticos. Parece claro que os gnósticos setianistas e valentinianos[58] tentaram "se esforçar para uma conciliação e mesmo afiliação" com filosofia antiga final,[59] mas foram rejeitados por alguns neoplatônicos, incluindo Plotino.
Relações filosóficas entre o neoplatonismo e o gnosticismo

Os gnósticos emprestaram várias idéias e termos do platonismo, eles exibem uma profunda compreensão dos termos filosóficos gregos e do idioma grego koiné em geral; utilizam conceitos filosóficos gregos em todo o seu texto, incluindo conceitos como hipóstase (a realidade, a existência), ousia (essência, substância, ser), e demiurgo (Deus criador). Bons exemplos incluem textos como a Hipóstase dos Arcontes ("Realidade dos Governantes") ou Protenoia Trimórfica ("O primeiro pensamento em três formas").

Porfírio em A vida de Plotino estabelece uma diferença entre os genuínos seguidores de Cristo e um outro grupo de mesclava a filosofia (gnosis) com elementos cristãos e Plotino é antagônico a esta situação ao dizer "Eles (gnósticos) tiraram algumas ideias de Platão, mas todas as novidades que acrescentaram para criar uma filosofia original, são fora da verdade",[60] no mesmo tratado, Plotino critica o elitismo ao dizer que os gnósticos "visam à formação de uma doutrina especial", Plotino repreende os gnósticos por desfigurarem a filosofia de Platão e apesar de sempre sereno em suas exposições fala de modo áspero: "Quando esses gnósticos afirmam que desprezam a beleza terrena, fariam melhor se desprezassem a dos meninos e das mulheres, para não sucumbirem à incontinência". É preciso observar que se os gnósticos, sem exceção tivessem sido libertinos, Plotino nunca os teria admitido, já que levava uma vida de virtudes[61]

Outro epíteto dado por Plotino aos gnósticos é o de charlatães ao "se vangloriaram em poder expulsar doenças com fórmulas" e ainda segundo Plotino, que as doenças eram consideradas seres (ou obras) de entidades demoníacas pelo gnósticos de sua época, "Só a plebe ignara se deixa iludir(...) as doenças não são algo demoníaco".[62] Plotino assevera que a moral dos gnósticos é inferior à de Epicuro o qual "aconselha procurar a satisfação no prazer" e ainda adverte que a doutrina é temerária porque ridiculariza a virtude e só pensa em interesses próprios. Para chegar a essas acusações graves, com certeza Plotino levou algum tempo, ao chegar em Roma, ele encontrou entre seus ouvintes sectários do gnosticismo com os quais discutia seus pontos de vista.[63]
Estudos sobre o gnosticismo

Clemente de Alexandria foi um crítico dos gnósticos, em especial de Valentim

É difícil obter informações sociais sobre os gnósticos, a maior parte da literatura gnóstica consiste de pseudoepígrafos - isto é, obras atribuídas à uma figura respeitada do passado tal como Adão, Sete ou o Apóstolo João: essa convenção literária não deixa muito espaço para a descrição sobre as atividades sectárias. Os outros registros são descrições breves e preconceituosas da doutrina e prática gnósticos feitas por adversários cristãos. O estudo gnosticismo requer muito cuidado com a precisão e a verdade das fontes sobre o assunto - na maior parte heresiólogos, Ireneu de Lyon, Clemente de Alexandria e Hipólito de Roma são o exemplo de descrição franca e constantemente hostil. Seu estilo é frequentemente irônico visto que seu objetivo não é descrever, mas destruir.[64]
Século XIX até 1930

Antes da descoberta de Nag Hammadi, a evidência de movimentos gnósticos era apenas vista através do testemunho dos heresiologistas da igreja primitiva. O "modelo histórico da igreja", representado por Adolf von Harnack entre outros, viu o gnosticismo como um desenvolvimento interno da igreja, sob a influência da filosofia grega.[65]
Depois da descoberta de biblioteca de Nag Hammadi, 1945

O estudo do gnosticismo e do cristianismo primitivo da Alexandria recebeu um forte impulso a partir da descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi, em 1945. O estudo do gnosticismo atualmente se faz impossível sem o total conhecimento dos escritos de Nag Hammadi e consequentemente da Língua copta. [66]
"Gnosticismo" como uma categoria potencialmente falha

Em 1966, em Messina, Itália, foi realizada uma conferência sobre sistema da gnosis.[67]

A "proposta cautelosa" alcançada na conferência sobre o gnosticismo é descrita por Markschies:
“ No documento final de Messina a proposta foi "pela aplicação simultânea dos métodos históricos e tipológica" para designar "um determinado grupo de sistemas do segundo século depois de Cristo" como "gnosticismo", e use "gnosis" para definir uma concepção de conhecimento que transcende os tempos, que foi descrito como "o conhecimento dos mistérios divinos para uma elite. ”


Em essência, foi decidido que "gnosticismo" seria um termo historicamente específico, restrito a significar os movimentos gnósticos prevalentes no século III, enquanto "gnosis" seria um termo universal de um sistema de conhecimento retido "para uma elite privilegiada". No entanto, este esforço no sentido de dar clareza na verdade criou mais confusão conceitual, já que o termo histórico "gnosticismo" era uma construção inteiramente moderna, enquanto o novo termo universal "gnosis" foi um termo histórico: "alguma coisa estava sendo chamada de "gnosticismo" que os teólogos antigos tinham chamado de" gnosis"... [um] conceito de gnose tinha sido criado por Messina e este era quase inutilizável em sentido histórico".[68] Na antiguidade, todos concordaram que o conhecimento era centralmente importante para a vida, mas poucos entraram em acordo sobre o que exatamente constituía o "conhecimento", a concepção unitária que a proposta de Messina pressupôs não existiu.[68]

Estas falhas significam que os problemas relativos a uma definição exata do gnosticismo ainda persistem.[69]

Permanece como convenção atual usar "gnosticismo" em um sentido histórico, e "gnosis" universalmente. Deixando de lado as questões com o último mencionado acima, o uso de "gnosticismo" para designar uma categoria de religiões do século III foi recentemente questionado também. Digno de nota é o livro da autoria de Michael Allen Williams Rethinking "Gnosticism": An Argument for Dismantling a Dubious Category, em que o autor examina os termos pelos quais o o gnosticismo está definido como categoria e compara estas suposições com o conteúdo dos textos gnósticos reais (a biblioteca de Nag Hammadi recém-recuperada foi de importância central para o argumento).[70]

Williams argumenta que as bases conceituais sobre as quais a categoria gnosticismo se apoia são os restos da agenda dos heresiologistas. Muita ênfase tem sido colocada sobre as percepções do dualismo, corpo - e matéria - ódio e anticosmismo[71] sem que essas suposições tenham sido "devidamente testadas". Em essência, a definição interpretativa do gnosticismo que foi criado pelos esforços antagônicos dos heresiologistas da igreja primitiva foi retomado por estudiosos modernos e refletido em um "definição categórica", apesar de hoje existirem meios de se verificar sua precisão. Ao tentar fazer isso, Williams revela a natureza dúbia da categória "gnosticismo" e conclui que o termo precisa ser substituído, a fim de refletir com mais precisão os movimentos que o compõem.[72]
Gnosticismo no século XXI

O chamado gnosticismo moderno se desenvolveu a partir das origens no Ocultismo do século XX onde Eliphas Levy traz todo o espectro de assuntos do gnosticismo à tona por meio da discussão da cabala judaica.[17] Uma série de pensadores do século 19, como William Blake, Arthur Schopenhauer,[73] Albert Pike e Madame Blavatsky estudaram o pensamento gnóstico extensivamente e foram influenciados por ele, até mesmo figuras como Herman Melville e W. B. Yeats foram mais tangencialmente influenciados.[74] A fundação da Sociedade Teosófica em 1875 por Blavatsky e o trabalho de seu aluno G.R.S Mead (tradutor especializado em texto gnósticos e herméticos), tornou o gnosticismo acessível ao público fora da academia, o que preparou o caminho para o gnosticismo para as massas no século seguinte.[17] Jules Doinel "restabeleceu" uma Igreja Gnóstica, na França, em 1890, o que alterou a forma como o gnosticismo passou por vários sucessores diretos (principalmente Fabre des Essarts como Tau Synésius e Joanny Bricaud como Tau Jean II) e que, apesar de pequeno, ainda está ativo até os dias de hoje.[75]

A descoberta e a tradução da Biblioteca de Nag Hammadi depois de 1945 teve um enorme impacto sobre o gnosticismo desde a Segunda Guerra Mundial. Pensadores que foram fortemente influenciados pelo gnosticismo neste período incluem Hans Jonas, Philip K. Dick e Harold Bloom, com Albert Camus e Allen Ginsberg sendo mais moderadamente influenciados.[74]

Correntes gnósticas independentes, tal como a fundada por Samael Aun Weor no século XX, seguem ativas em instituições tais como a Igreja Gnóstica do Brasil (IGDB).[76]

Ver também

Referências

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  14. ↑ Williams Rethinking "Gnosticism": an argument for dismantling a dubious category 1999 p36: "Mas vários dos usos da designição gnostikos por Ireneu são mais ambíguas e não é tão claro se ele está indicando a seita específica novamente ou usando "gnósticos", agora apenas como uma referência abreviada para todos os praticamentes(...)"; p37: "Eles argumentam que Ireneu usa gnostikos em dois sentidos: (1) com o ignificado básico e habitual de "erudito" (sábio), e (2) com referência aos adeptos da seita específica chamada de 'heresia gnóstica' in Adv. haer. 1.11.1."; p271: "1.25.6 onde eles pensam que gnostikos significa 'aprendido' está em 1.11.3 ('Um certo outro famoso professor deles, alcançou uma doutrina mais elevada e aprendeu [gnostikoteron] ...') e 1.11.5 ('... para que eles)"
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  54. ↑ O termo "minim" no Talmud, muitas vezes refere-se aos gnósticos, como Friedländer e antes dele Krochmal e Gratz apontaram. [2]
  55. ↑ Turner, John. "Sethian Gnosticism: A Literary History" in Nag Hammadi, Gnosticism and Early Christianity, 1986 p. 59
  56. ↑ Hebrew
  57. ↑ Esta rejeição, juntamente com as sanções oficias do cristianismos sob Constantino e a pressão contra o paganismos do setinianos causou uma grande fragmentação do que tinha restado do setianismo em vários derivados e grupos gnsóticos no Egito, Palestina e Síria, onde eles não mais se identificaram-se com setianistas mas talvez como arcônticos, audianos, borboritas , fibionitas, estratiônicos e outros.John Douglas Turner (2001). Sethian Gnosticism and the Platonic Tradition. [S.l.]: Presses Université Laval. p. 301. ISBN 978-2-7637-7834-1 (em inglês)
  58. ↑ Esta é a nota de rodapé que o estudioso A.H. Armstrong escreveu em sua tradução da Enéadas de Plotino no intervalo chamado Contra os Gnósticos. (A nota de rodapé da página 264 1). Deste ponto até o final de cap.12 Plotino está atacando um mito gnóstico melhor conhecido por nós atualmente,como o sistema de valentino. A mãe, Sophia-Achamoth, produziu como resultado de um complicada seqüência de acontecimentos que se seguiram à sua queda e sua prole o Demiurgo, são figuras de Valentim: cp. Irineu Adv. Haer 1,4 e 5. Valentim esteve em Roma e não há é improvável que os valentinianos existiram na época de Plotino. Mas a evidência e, Sobre a Vida cap.16 sugere que os gnósticos no círculo de Plotino pertenciam a outro grupo chamado Setianos de Arcontis, referente aos ofitas ou barbelognosticos: eles provavelmente se chamavam simplesmente de "gnósticos". Grupos gnósticos emprestaram livremente uns dos outros e é provável que Valentim levou algumas de suas ideias sobre Sophia de fontes gnósticas mais velhsd e que as suas ideias, por sua vez influenciaram outros gnósticos. A biblioteca gnóstica provavelmente setianista descoberta em Nag Hammadi inclui um tratado valentiniano: ep. Puech, Le pp 162-163 e 179-180.
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Bibliografia

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Ligações externas