O túmulo está vazio, pois o Redentor vivo para sempre está!!!!!!!!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Carta do Espírito aos pregadores.

 


*Carta de Cristo aos Pregadores*


Conheço as tuas obras. Conheço teus sermões, tuas horas de estudo, tuas noites em claro, tuas orações antes de subir ao púlpito. Eu vi tua rotina atarefada, o lazer que você abriu mão. Eu vi quando você tremeu na primeira vez que falou em meu nome. Eu vi o peso santo de anunciar a Palavra sobre os teus ombros. 

Mas agora preciso falar contigo outra vez. Lembra-te de onde caíste. Quando você começou, não queria palco — querias apenas que alguém me conhecesse. Não buscavas aplausos — buscava fidelidade. Não querias ser ouvido — queria ser útil. Queria ser ferramenta. E eu me alegrei em te usar.

Mas o tempo passou. As pessoas começaram a ouvir teu nome com respeito. Teus sermões passaram a circular. Te pediram conselhos. Te chamaram de referência. Citavam você em ambientes onde você não estava. E, silenciosamente, algo perigoso começou a crescer.

Não foi o pecado escandaloso que te ameaçou primeiro. Foi a familiaridade com o sagrado. Com o tempo, você se acostumou a falar de mim sem tremer. Passou a explicar minha Palavra sem chorar. Aprendeu a pregar sermões que impressionam mais do que transformam — inclusive a ti mesmo. Dominou a técnica, mas esqueceu do coração.

Ouvindo as tuas pregações, vejo que você ainda fala de graça com muita técnica, mas já não se sente tão necessitado dela. Você ainda fala de arrependimento com eloquência, mas já não se arrepende com a mesma pressa. Ainda fala de humildade com ótima oratória, mas já não se surpreende quando é honrado.

Meu servo, cuidado. O púlpito é um lugar perigoso para quem esquece que continua sendo ovelha. A familiaridade com a verdade pode endurecer o coração que deveria ser o primeiro a se quebrantar. Não te chamei para você parecer forte, mas para você permanecer dependente. Não te chamei para você ser admirado, mas para ser fiel.

Lembre-se que você não é a luz — apenas carrega a lâmpada. Você não é a fonte — apenas o vaso. Você não é o pão da vida — apenas o servo que o reparte. Se um dia você subir ao púlpito sem sentir necessidade de misericórdia, desce. Se um dia pregar sobre mim for mais fácil para você do que falar comigo, pare. Se um dia os elogios lhe alegrarem mais que os arrependimentos, vigie. Lembra de quantos caíram. Volta ao secreto. Volta à oração que ninguém vê. Volta ao lugar onde não há aplausos, nem títulos, nem reconhecimento, nem convites. Ali, teu coração voltará a amolecer. Ali, teu ego será verdadeiramente transformado.

E quanto as demais coisas, permanece pequeno. Permanece ensinável. Permanece arrependido até que eu volte. Permanece quebrantado e eu permanecerei contigo. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

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