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sábado, 19 de setembro de 2026

#ÍNDIA: A REVOLUÇÃO SILENCIOSA – 5 MIL NOVOS CRISTÃOS POR DIA EM MEIO À PERSEGUIÇÃO



SUBTÍTULO: Congresso Nacional "Igreja em Missão" revela crescimento explosivo do cristianismo indiano, mas líderes alertam para escalada de violência anticristã no país

NAGPUR, ÍNDIA — A Igreja na Índia vive um momento paradoxal. Enquanto comunidades cristãs em todo o país registram um crescimento sem precedentes — estimado entre 3 mil e 5 mil novos seguidores de Jesus por dia —, líderes evangélicos enfrentam uma das ondas de perseguição mais severas das últimas décadas.

Os dados foram apresentados durante o Congresso Nacional "Igreja em Missão" (AICOCIM 2025), realizado em setembro na cidade de Nagpur, no estado de Maharashtra. Organizado pela Evangelical Fellowship of India (EFI), o evento reuniu cerca de 450 líderes cristãos de todos os estados indianos, superando amplamente a expectativa inicial de 300 participantes. Foi o primeiro encontro nacional da entidade em 15 anos.

CRESCIMENTO SEM PRECEDENTES

Segundo os relatos apresentados durante o congresso, a Igreja indiana está recebendo entre 3.000 e 5.000 novos seguidores de Jesus diariamente. O movimento é impulsionado por missões, discipulado e um forte serviço à comunidade, com atuação em áreas como educação, saúde e assistência social.

"Esta não é uma reunião comum, nem estamos aqui por hábito", declarou o reverendo Vijayesh Lal, secretário-geral da EFI, na sessão de abertura. "Nos reunimos porque este é um momento kairos — um tempo em que a rotina dos dias ganha urgência, e Deus convoca seu povo à atenção, ao arrependimento e à coragem".

Lal encerrou seu discurso convidando os participantes a abraçarem a entrega, a coragem e a imaginação guiada pelo Espírito. "Nossa esperança não está em tempos favoráveis nem em nossas próprias forças. Nossa esperança está em Cristo, que venceu a morte... Porque essa esperança é certa, não seremos abalados".

DESAFIOS INTERNOS E RENOVAÇÃO

O congresso não se limitou a celebrar números. Os líderes debateram abertamente desafios estruturais da Igreja indiana, incluindo a sub-representação das mulheres no ministério eclesiástico, a resistência à renovação geracional de pastores e o enfrentamento do sistema de castas, apontado como incompatível com os princípios cristãos de igualdade.

Um dos momentos mais marcantes foi o testemunho do Dr. Richard Howell, ex-secretário-geral da EFI e da Aliança Evangélica da Ásia. Ele compartilhou, emocionado, a história de um cristão dalit que admitiu ter odiado a si mesmo por anos por causa de sua casta — mesmo sendo crente — até encontrar libertação na fé.

Uma particularidade desta edição foi a ausência de palestrantes internacionais. Segundo os organizadores, a decisão permitiu um ambiente de diálogo mais contextualizado à realidade indiana, promovendo trocas genuínas entre os líderes locais.

A DECLARAÇÃO DE NAGPUR E NOVAS COMISSÕES

Como resultado concreto do encontro, a EFI apresentou o rascunho da Declaração de Nagpur, descrita como uma declaração de testemunho cristão na Índia. O documento será circulado entre os participantes para feedback e refinamento antes de ser finalizado. Os delegados foram lembrados de que a declaração não é apenas uma reflexão sobre o congresso, mas um pacto de compromisso para os anos seguintes.

O encerramento também marcou o lançamento de várias comissões sob a EFI, incluindo:

· Comissão de Discipulado
· Comissão de Justiça, Dalits e Tribais
· Comissão Digital e de IA
· Comissão de Pastoreio (para cuidado pastoral de pastores)
· Comissão de Famílias e Solteiros

"Estas comissões estão sendo lançadas hoje como parte das celebrações do 75º aniversário da EFI", destacou Lal, enfatizando que representam um compromisso de longo prazo com o fortalecimento da missão da Igreja. Além disso, forças-tarefa especializadas serão formadas para focar em evangelismo, educação teológica de base, mídia, saúde mental, pesquisa, desenvolvimento de liderança e empoderamento de mulheres e jovens.

O CENÁRIO DE PERSEGUIÇÃO

Apesar do crescimento expressivo, a comunidade cristã na Índia enfrenta um ambiente cada vez mais hostil. A Índia ocupa atualmente a 12ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026, um salto significativo em relação à 31ª posição em 2013.

Segundo a Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), os ataques violentos de multidões nacionalistas hindus contra cristãos se intensificaram nos últimos meses. Em janeiro de 2026, o pastor Bipin Bihari Naik foi espancado por uma multidão em Odisha enquanto conduzia orações dominicais dentro de uma casa. A multidão o acusou de realizar conversões forçadas, arrastou-o para fora e o forçou a comer esterco de vaca.

No mesmo mês, uma multidão nacionalista hindu demoliu as casas de quatro famílias cristãs em Maharashtra após elas se recusarem a renunciar à sua fé. Em Andhra Pradesh, nacionalistas hindus atacaram um micro-ônibus de cristãos evangélicos, incendiando o veículo e espancando passageiros com tacos de críquete e pedras.

"Vigilantes armados têm repetidamente usado alegações de conversão forçada para justificar a detenção arbitrária e ataques horríveis contra minorias religiosas", afirmou Asif Mahmood, vice-presidente da USCIRF. "Vários estados indianos agora fortaleceram leis anticonversão, reduzindo os padrões de evidência necessários para acusar um indivíduo de conversão religiosa forçada".

Em julho de 2026, Maharashtra se tornou o 13º estado indiano a implementar uma lei anticonversão. A Lei de Liberdade de Religião de Maharashtra, de 2026, entrou em vigor em 28 de agosto, prevendo ações contra conversões supostamente realizadas por meio de coerção, fraude, indução ou casamento.

"CRESCEMOS, MAS ESTAMOS AMEAÇADOS”

Em entrevista recente, o reverendo Vijayesh Lal resumiu a situação da Igreja indiana com uma frase direta: "Nós crescemos, mas estamos ameaçados".

A liderança da EFI, no entanto, optou por não focar apenas nos números. Durante o congresso, Lal alertou que "uma Igreja ampla, mas superficial, não pode permanecer", convocando os líderes a retornarem ao discipulado profundo.

O jornalista Timothy Goropevsek, editor do Christian Daily e observador do congresso, avaliou o encontro como um marco para o movimento evangélico indiano. "Foi um privilégio testemunhar líderes discutindo como levar o Evangelho a uma nação de 1,4 bilhão de pessoas — um sexto do mundo. Saí encorajado e profundamente grato pelo que Deus está fazendo na Índia".

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